Recomeços
À minha essência
Durante muito tempo pensei que precisava de descobrir quem era.
Procurei respostas, procurei caminhos, procurei versões de mim que talvez fossem mais certas, mais fortes, mais seguras.
Hoje começo a perceber que talvez não precise de me tornar alguém.
Talvez precise apenas de voltar a mim.
A ti.
Àquilo que sempre esteve aqui, mesmo quando eu não conseguia ouvir.
Foste ficando escondida debaixo de tantas camadas: medos, expectativas, histórias, feridas, culpas, necessidades de agradar, formas de me proteger e ideias sobre quem eu deveria ser.
E eu não te culpo por isso.
Sei que algumas dessas camadas foram necessárias. Foram maneiras que encontrei para continuar, para pertencer, para me proteger quando ainda não sabia fazer diferente.
Mas agora estou a aprender.
A cada camada que descubro, aproximo-me um pouco mais de ti.
Às vezes encontro uma dor.
Outras vezes, uma crença que já não me serve.
Outras, uma parte de mim que ficou esquecida pelo caminho.
E vou aprendendo a não rejeitar nenhuma delas.
Quero olhar para tudo com ternura.
Porque cada camada conta uma parte da minha história, mas nenhuma delas é a minha totalidade.
E talvez, por baixo de tudo isso, estejas tu.
A minha essência.
Não algo novo que preciso de construir.
Não uma mulher que preciso de inventar.
Mas aquela que sempre esteve aqui.
Quero voltar a reconhecer a tua voz.
Quero saber o que sentes antes de procurar o que os outros esperam de mim.
Quero escolher mais vezes a partir de dentro e menos a partir do medo.
Quero ter coragem para deixar cair aquilo que já não sou, mesmo quando ainda me é familiar.
E quando me perder, porque sei que vou, quero lembrar-me de que não preciso de voltar ao início.
Basta voltar para dentro.
Talvez este seja o verdadeiro caminho de me conhecer,
não descobrir quem devo ser,
mas retirar, devagar, aquilo que me ensinaram que precisava de ser,
até conseguir olhar para mim e pensar:
“Ah… eras tu que estavas aqui este tempo todo.”
E então ficar.
Sem fugir.
Sem exigir.
Sem tentar ser outra.
Apenas eu.
Mais inteira.
Mais consciente.
Mais livre.
Mais perto de casa.
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