Reflexões
Eu paro
Durante muito tempo, quis viver com mais consciência, mais presença, mais verdade.
Hoje percebo que isso não significa ter dias tranquilos, não sentir stress ou conseguir manter tudo sob controlo. A vida continua a acontecer. As rotinas continuam exigentes. Há dias em que tudo se acumula e, com duas filhas, nem sempre existe espaço para respirar.
Mas alguma coisa mudou em mim.
Quando os acontecimentos à minha volta me agitam, eu paro.
Paro para me ouvir.
Paro para perceber o que estou a sentir.
Paro para olhar para as minhas opções.
Paro antes de reagir.
E esse pequeno intervalo mudou a forma como vivo.
Não deixei de sentir. Não deixei de me irritar, de me cansar ou de ficar ansiosa. Apenas deixei de entregar o comando da minha vida às minhas emoções ou às expectativas dos outros.
Hoje sei que posso sentir uma emoção sem ser conduzida por ela.
Posso ouvir alguém sem deixar que a opinião dessa pessoa defina quem sou.
Posso estar cansada sem concluir que estou no caminho errado.
Posso ter um dia difícil sem transformar esse dia na minha vida inteira.
Antes, muitas vezes, vivia em piloto automático. O stress chegava e eu ia atrás dele. As circunstâncias ditavam o ritmo. As emoções tomavam o lugar da escolha.
Agora, eu paro.
E nesse parar encontro-me.
Talvez seja isto viver com mais presença: não controlar tudo o que acontece, mas permanecer comigo enquanto tudo acontece.
A vida não ficou necessariamente mais simples.
Eu é que já não sou a mesma perante aquilo que acontece.
Hoje, quando o mundo acelera, eu lembro-me:
Não tenho de responder imediatamente.
Não tenho de resolver tudo agora.
Não tenho de carregar aquilo que não é meu.
Posso parar.
Respirar.
Escutar-me.
E escolher.
Porque a minha vida continua a ser minha.
E hoje, finalmente, sou eu quem segura o comando.
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