Reflexões
O Poder da tua Atenção
“Se algo não te agrada, tira-lhe o único poder que tem: atenção.”
Li esta frase e fiquei a pensar em quantas coisas continuamos a alimentar simplesmente porque continuamos a olhar para elas.
Uma palavra que nos magoou.
Uma atitude que não compreendemos.
Uma pessoa que nos desiludiu.
Uma situação que não correu como queríamos.
Algo que aconteceu há dias, meses ou até anos, mas que continua a ocupar espaço dentro de nós.
Porque, às vezes, aquilo que nos fez mal já passou.
Mas nós continuamos lá.
Voltamos à conversa na nossa cabeça.
Pensamos no que deveríamos ter dito.
Imaginamos o que poderíamos ter feito de diferente.
Tentamos perceber as razões de quem nos magoou.
Procuramos respostas onde talvez nunca as iremos encontrar.
E, sem percebermos, continuamos a entregar atenção àquilo que gostaríamos de deixar para trás.
A verdade é que nem sempre podemos escolher o que acontece connosco.
Não podemos controlar as palavras dos outros.
Não podemos impedir uma desilusão.
Não podemos fazer com que alguém nos trate como gostaríamos.
Não podemos mudar aquilo que já aconteceu.
Mas podemos escolher o espaço que aquilo continua a ocupar em nós.
E talvez seja essa uma das formas mais silenciosas de liberdade.
Não significa fingir que não doeu.
Não significa dizer “não me importa” quando, na verdade, importou.
Significa reconhecer:
“Isto magoou-me.
Isto não me fez bem.
Eu não gostei do que aconteceu.
Mas não vou continuar a dar-lhe partes de mim.”
Porque atenção também é energia.
É tempo.
É pensamento.
É emoção.
E aquilo a que damos constantemente a nossa atenção começa a crescer dentro de nós.
Se passamos o dia a pensar naquilo que nos irrita, a irritação cresce.
Se passamos horas a pensar em quem nos desiludiu, essa pessoa continua presente.
Se voltamos vezes sem conta ao que aconteceu, continuamos emocionalmente presos a um momento que já terminou.
Por vezes, pensamos que precisamos de uma resposta para conseguir seguir em frente.
Mas talvez precisemos apenas de parar de procurar.
Parar de explicar.
Parar de justificar.
Parar de tentar ser compreendidos por quem escolheu não nos compreender.
E voltar a nossa atenção para aquilo que ainda está vivo.
Para nós.
Para a nossa casa.
Para quem nos ama.
Para aquilo que queremos construir.
Para os pequenos momentos que, enquanto estamos ocupados a pensar no que nos feriu, podem estar a passar despercebidos.
Há coisas que não precisam de uma resposta.
Precisam de distância.
Há pessoas que não precisam de ser confrontadas.
Precisam de deixar de ter acesso à nossa atenção.
Há situações que não precisam de ser resolvidas.
Precisam de ser aceites.
E há momentos em que a melhor resposta que podemos dar não é uma palavra.
É simplesmente deixar de alimentar aquilo que já não queremos carregar.
Talvez seja isso que significa recuperar o nosso poder.
Não controlar o mundo à nossa volta.
Mas perceber que a nossa atenção é nossa.
E que podemos escolhê-la.
Hoje, quando alguma coisa te incomodar, talvez não precises de perguntar:
“Como faço para mudar isto?”
Experimenta perguntar:
“Porque é que continuo a dar-lhe tanta atenção?”
E talvez descubras que, naquele momento, o verdadeiro poder já não estava naquilo que te incomodava.
Estava em ti.
Porque, quando retiras a tua atenção de algo que já não queres alimentar, não estás a ignorá-lo.
Estás a escolher-te.
E, às vezes, escolher-te é simplesmente isto,
- deixar de olhar para aquilo que já não queres levar contigo.
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