Reflexões
Quem olha para dentro desperta
Passamos uma vida inteira a aprender a caminhar para fora.
Ensinam-nos a procurar respostas no mundo, a medir o valor pelo que conquistamos, a acreditar que a felicidade mora sempre no próximo destino.
E sonhamos.
Sonhamos com o dia em que tudo fará sentido.
Mas há um momento, silencioso, em que a alma nos chama numa direção diferente.
Não para mais longe.
Para mais fundo.
É aí que começa a verdadeira viagem.
Aquela onde não existem mapas, nem atalhos, nem aplausos.
Apenas o encontro com tudo aquilo que fomos deixando para trás enquanto tentávamos pertencer ao mundo.
Olhar para dentro é um ato de coragem.
É atravessar o próprio silêncio.
É deixar de fugir das perguntas.
É compreender que as feridas não nos definem, mas também não desaparecem por serem ignoradas.
Há um instante em que percebemos que o maior horizonte nunca esteve diante dos nossos olhos.
Sempre viveu dentro de nós.
E, nesse instante, algo muda.
Continuamos a contemplar o mundo, a amar as pessoas, a perseguir os nossos sonhos.
Mas deixamos de lhes pedir que preencham o espaço que só nós podemos habitar.
Talvez seja esse o despertar.
Não encontrar uma nova versão de nós.
Mas regressar, com humildade, àquela que sempre existiu por baixo do medo, das expectativas e do ruído.
Porque há sonhos que nos fazem caminhar.
Mas é o despertar que nos ensina, finalmente, a chegar a casa.
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