Reflexões

Quem olha para dentro desperta

Mara Cruz 2 min de leitura

Passamos uma vida inteira a aprender a caminhar para fora.

Ensinam-nos a procurar respostas no mundo, a medir o valor pelo que conquistamos, a acreditar que a felicidade mora sempre no próximo destino.

E sonhamos.

Sonhamos com o dia em que tudo fará sentido.

Mas há um momento, silencioso, em que a alma nos chama numa direção diferente.

Não para mais longe.

Para mais fundo.

É aí que começa a verdadeira viagem.

Aquela onde não existem mapas, nem atalhos, nem aplausos.

Apenas o encontro com tudo aquilo que fomos deixando para trás enquanto tentávamos pertencer ao mundo.

Olhar para dentro é um ato de coragem.

É atravessar o próprio silêncio.

É deixar de fugir das perguntas.

É compreender que as feridas não nos definem, mas também não desaparecem por serem ignoradas.

Há um instante em que percebemos que o maior horizonte nunca esteve diante dos nossos olhos.

Sempre viveu dentro de nós.

E, nesse instante, algo muda.

Continuamos a contemplar o mundo, a amar as pessoas, a perseguir os nossos sonhos.

Mas deixamos de lhes pedir que preencham o espaço que só nós podemos habitar.

Talvez seja esse o despertar.

Não encontrar uma nova versão de nós.

Mas regressar, com humildade, àquela que sempre existiu por baixo do medo, das expectativas e do ruído.

Porque há sonhos que nos fazem caminhar.

Mas é o despertar que nos ensina, finalmente, a chegar a casa.

Novos textos

Chegou ao fim deste texto?

Se estas palavras lhe fizeram companhia, pode deixar o seu email e receber apenas um aviso quando a Mara publicar um novo texto.

Comentários

Conversas com calma

Ainda não há comentários aprovados neste texto.

Cartas da Mara

Receber a próxima carta

De tempos a tempos, uma nova história diretamente no seu email. Sem ruído. Apenas palavras.